Se alguém me dissesse que um dia eu iria adorar um disco do Sandy &
Junior, eu não acreditaria. Se dissesse que eu iria num show, aí sim
que eu não acreditaria mesmo.
Pois acreditem, eu adorei tanto o “Acústico MTV” Sandy & Junior- dos
acústicos da MTV, esse sem dúvidas foi o mais surpreendente, em todos
os sentidos -, que tive que conferir o show. E que show lindo, ein.
Tá, não sou fã deles e acredito que nunca fui. Sempre fui do partido
“Tanto Faz”, só conhecia os sucessos radiofônicos.
Em quase toda a minha vida, nunca vi uma banda que durasse tanto tempo
quanto eles- foram 17 anos. Sei que tem várias, conheço várias, mas
ver com meus próprios olhos, só vi Sandy e Junior.
No caminho do show, fui pensando “gente, eu, que sempre escutei rock
tô indo fazer o que num show desses?”. Mas chegando lá, vi que eu não
era o único com o mesmo sentimento de peixe fora d’água.
Claro, a grande maioria do público era formado por adolescentes, entre
seus 11 e 16 anos, mas o público era bastante variado. Tinha desde
país e avós que estavam acompanhando os filhos, à adultos (assim como
eu) querendo ver como tudo terminava.
O show foi uma experiência totalmente nova pra mim. muita gente, muita
fila, muitos seguranças e equipe técnica, muitos fotógrafos, muitos
vendedores (de porcarias) ambulantes e muita (mas MUITA) gritaria. A
qualquer movimento na cortina, os fãs mais xiitas entravam em
desespero, gritavam e choravam como se não houvesse mais amanhã. Eu,
claro, sempre sério, observava todo esse mundo tão diferente do meu.
Com uma meia hora de atraso, finalmente as cortinas se abrem! a
distância público-palo é enorme, mas dois telões ajudam a ver a banda
entrando. Um cenário lindo (imitando o da apresentação da MTV, só que
num telão). Uma banda pequena – prum palco tão enorme.
Começa o show. não sei bem qual música era, mas parecia que toda a
arquibancada sabia. Na pista, atrás das mesas, jovens (todos na casa
dos 20) assistiam o show com respeito, mas sem muita empolgação. Muita
coisa ainda prometia acontecer. E bem, aconteceu.
Mais ou menos na metade do show, as luzes se apagam, a banda some e
começa um clipe. Como se fosse um “behind the music”, contando a
trajetória deles… as luzes voltaram! Sandy e Junior tinham trocado
de roupa ¬¬ (tá, achei totalmente descartável essa parte, mas é
mainstrean né, haha)
de volta aos microfones e seus banquinhos (que foram pouco usados),
eles se preparam pra tocar duas músicas novas. “segue em frente”, uma
compisição do Junior – segundo a Sandy. Num clima bem descolex à la
Jack Johnson, a música é quase uma mostra do que pode estar por vir na
sua carreira solo. Em seguida, Sandy assume os teclados, e toca a
canção mais bonita do show (na minha opinião, claro), “Abri os Olhos”.
E foi nessas duas canções que se via que realmente Sandy & Junior já
não era mais uma dupla. Eles cresceram, viraram dois artistas
diferentes, cada qual com sua personalidade bastante individual.
O show chega ao fim. Mas de mentira, claro. Talvez pra aumentar a
ansiedade do público ou pra alimentar o ego, alguns artistas são
adeptos desse falso fim de show, haha. Mesmo com as luzes apagadas,
com os gritos de “mais um”, eu sabia que não tinha cabado. E você me
pergunta como eu sabia? Simples, ainda não tinham tocado a música que
eu e (acredito) que todo o resto estavam esperando.
Sim, era um final de mentira, uns 5 minutos depois as luzes voltam.
Sandy e Junior voltam ao palco, mas sozinhos, sem banda. Conversam com
o público, agradecem o carinho, a fidelidade. depois de alguns
(muitos) minutos de enrolação, eis que chega o momento tão esperado!!
Com um violão em punho, Junior começa a tocar um riff já conhecido de
todos ali (e com certeza conhecido por você também): Tocaram “Maria
Chiquinha”! E dessa forma, só voz e violão, só os dois no palco, eu e
mais um zilhão de pessoas voltou a infância. Foi impossível não se
juntar ao coro. E com um sentimento de satisfação, ainda por cima.
hahaha
Bom, não vou cair nos clichês “tudo que é bom dura pouco” e “só dá
valor quando acaba”, porque não é caso aqui. Mas foi um show lindo,
com um cenário incrível e novos arranjos. E além de tudo, com a
mensagem de que tudo um dia passa, mas não precisa acabar mal.
Glamuroso, lindo e tocante definem esse show. pelo menos pra mim.

Por *Gobbi*
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